STF deve vetar lei pró-Dilma, prevê governo
O governo Dilma reconhece reservadamente que o projeto de lei que inibe a criação de partidos pode ser derrubado no Supremo Tribunal Federal (STF) caso venha a ser aprovado no Congresso. A discussão da proposta foi suspensa no meio da semana passada por uma decisão provisória do ministro do Supremo Gilmar Mendes.
Para interlocutores do Palácio do Planalto, a tendência do tribunal é considerar a lei inconstitucional. A proposta tira das novas siglas a possibilidade de amplo acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV, dois elementos fundamentais para o funcionamento dos partidos.
Com apoio velado do Planalto, mas sustentada de forma aberta por PT e PMDB, a medida passou na Câmara e está parada no Senado. A aprovação da lei prejudicaria o movimento da ex-senadora Marina Silva, que corre para criar a Rede Sustentabilidade para disputar as eleições presidenciais de 2014.
Outros presidenciáveis, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE), são contrários ao projeto porque interessa a eles o maior número possível de candidatos, o que, em tese, evitaria uma vitória da presidente Dilma no primeiro turno.
A avaliação no governo é que o histórico de decisões indica um STF contrário a medidas que impeçam a formação de partidos. Um dos casos citados é a decisão tomada em 2006, quando o STF declarou inconstitucional a chamada "cláusula de barreira".
Essa norma da Lei dos Partidos Políticos, de 1995, estipulava condições para que legendas menores tivessem direitos iguais aos das grandes legendas políticas. A vitória do PSD na Justiça, garantindo recursos do fundo partidário e tempo de TV, é outro exemplo citado por aliados do Planalto. A avaliação é que o STF deve apontar não ser possível tratar de forma diferente situações semelhantes, negar a outros o que o PSD de Gilberto Kassab obteve.
Publicado na Folha de São Paulo (Valdo Cruz – sucursal de Brasilia) – 29/04

Mosquitos geneticamente modificados combatem a dengue


Cientistas criam mosquitos geneticamente modificados para “sabotar” o Aedes aegypti, inseto que espalha a dengue, uma doença que infecta 50 milhões de pessoas e mata 25.000 por ano, e representa uma ameaça para 40% da população mundial.
Atualmente, o único método de combate à dengue é matar e controlar os mosquitos que espalham o vírus quando se alimentam de sangue de indivíduos infectados. Não há vacina, nem drogas preventivas ou terapêuticas. As medidas de controle são apenas para matar os mosquitos com inseticidas ou monitorar e restringir pequenas poças d’água, pratos e outros recipientes onde eles se reproduzem. O leque de opções é muito limitado.
Agora, o novo mosquito tem sido considerado um sucesso pelos pesquisadores. Essa é a primeira vez que mosquitos geneticamente modificados são liberados na natureza. Até o final do teste de seis meses em um terreno de 16 hectares, as populações de insetos nativas que espalhavam o vírus da dengue haviam caído.
Os pesquisadores criaram milhões de machos carregando um gene alterado chamado “tTA”, que é passado para as fêmeas quando eles se acasalam. Como os machos não picam, ninguém fica doente. Já o gene letal passado impede que as larvas e pupas cresçam de forma adequada, levando-as a morte antes da idade adulta e quebrando o ciclo de vida dos insetos.
Nos primeiros seis meses do estudo, os pesquisadores liberaram um total de 3,3 milhões insetos machos. Eles mediram a depleção da população através de verificações semanais sobre os ovos postos pelas fêmeas. Nos primeiros três meses ou mais, a proporção de vasos contendo pelo menos um ovo aumentou gradualmente, atingindo um pico de mais de 60%. Mas até o final do experimento, a proporção havia caído para 10%.
Os investigadores concluem que o número de ovos despencou porque a maioria estava morrendo como larvas. Os recursos consumidos pelas larvas e pupas condenadas competiam com insetos normais, o que ajudou a reduzir a população.
Agora que a pesquisa já terminou, os pesquisadores vão acompanhar o local para ver quanto tempo a população de mosquitos leva para se recuperar. O objetivo é estabelecer quantos machos precisam ser liberados, por quanto tempo e onde, a fim de suprimir eficazmente as populações naturais.
Outro objetivo é usar os machos geneticamente modificados em conjunto com métodos de controle normal para combater a dengue. Os pesquisadores já realizaram testes na Malásia, e tem autorização para realizar ensaios em muitos outros países afetados pela dengue, como Brasil, França, Índia, EUA, Tailândia, Cingapura e Vietnã.
A ideia é convencer os países de que a modificação genética é uma estratégia que pode salvar vidas e prevenir a dengue. Hypescience

Ovelha geneticamente modificada tem gene que produz colesterol bom


Cientistas chineses anunciaram a clonagem de uma ovelha geneticamente modificada, que produz o bom colesterol, até então só encontrado em nozes, sementes e peixes. Esse tipo de colesterol, conhecido como lipoproteína de alta densidade, ajuda a reduzir o risco de ataques cardíacos e outras doenças cardiovasculares.
A ovelha – conhecida como Peng Peng – nasceu com quase seis quilogramas, no laboratório do Instituto de Genômica de Beijing, no noroeste da China.
“Ela está crescendo bem e saudável, como uma ovelha normal”, diz o cientista e coordenador da pesquisa, Du Yutao.
Du conta que inseriu o gene que é ligado à produção de gorduras insaturadas em uma célula doadora de uma orelha chinesa do tipo Merino. A célula foi, então, inserida em um óvulo não fertilizado e implantado no útero de uma outra ovelha.
O gene é original da C. elegans, uma espécie de minhoca. E tal gene aumenta a produção de gordura insaturada, boa para a saúde humana.
Segurança dos alimentos geneticamente modificados
A China detém 22% da população mundial, mas tem só 7% das terras produtivas. Por isso, seus cientistas têm se devotado a aumentar a produção doméstica de grãos, carne e outros alimentos.
Mas ainda há preocupações acerca da segurança de alimentos geneticamente modificados e vai demorar mais alguns anos para a carne de animais transgênicos ganharem os mercados chineses.
Embora o governo chinês encoraje tais projetos, os cientistas precisam provar que os produtos são seguros para o consumo.
Os Estados Unidos continuam à frente da produção de produtos geneticamente modificados. A agência norte-americana que controla remédios e alimentos (FDA, na sigla em inglês) já aprovou a venda de alimentos provenientes de clones ou de suas proles, afirmando que os produtos eram indistinguíveis dos de animais não clonados.
O mais recente exemplo é da empresa estadunidense de biotecnologia AquaBounty, que patenteou um tipo de salmão geneticamente modificado. Segundo fontes não oficiais, ele pode ser aprovado esse verão para consumo nos Estados Unidos. HypesCience